Mindfulness e Pânico

A ansiedade suaviza quando criamos um espaço entre nós e aquilo que estamos a experienciar. Segundo V. Frankl entre o estímulo e a resposta existe um espaço. Nele reside a nossa liberdade e o nosso poder de escolha ou resposta. Na nossa resposta reside o crescimento pessoal e a felicidade.

Quando reagimos de forma automática e não-consciente, os comportamentos cristalizam-se em hábitos que são prejudiciais para a nossa saúde. Consequentemente, estes padrões de reatividade aprofundam o nosso sofrimento ou distress (o mau stress). Aqui reside a importância de discernir claramente a diferença entre reagir de forma inconsciente e responder com Atenção Plena. Quando nos tornamos conscientes do momento presente ganhamos acesso a recursos que nem sabíamos existir. Podemos não ser capazes de alterar uma situação mas podemos, conscientemente, alterar a nossa resposta perante ela. Podemos escolher uma forma mais produtiva e construtiva de lidar com o stress em vez de nos deixarmos dominar e consumir por ele.

Em relação ao Pânico, quando se torna consciente que está a experienciar um ataque de pânico, pode começar a responder de uma forma a diminuir a intensidade em vez de inflamá-la ou alimentá-la. À medida que a sua prática de Atenção Plena se aprofunda, pode gradualmente prevenir a ocorrência dos ataques de pânico e sentir-se mais à vontade consigo próprio e com o espaço que ocupa no mundo.

Lembre-se, não existe outro lugar para estar, ou outra coisa que necessite fazer, do que estar Aqui e Agora.

Relações

Um dos grandes caminhos de desenvolvimento pessoal e, por seu turno, de tomada de consciência prende-se com a forma como nos relacionamos.
Como me relaciono com o outro? Com um amigo, familiar, namorado(a), marido ou mulher?
“Como me relaciono?” seria a grande pergunta a colocar por forma a ampliarmos o foco da nossa visão – como e desde onde me relaciono?

Uma das crenças que trazemos é a do modelo de companheiro ideal. Esta crença revela-se altamente limitadora e destrutiva nos relacionamentos e urge compreender que o modelo de relação deve ser construído pelo próprio sujeito, a cada instante.

De que forma podem as nossas relações refletir o próprio nível de maturação pessoal e evolutivo no momento atual? Será a relação um espelho e, por isso, uma janela de oportunidade para uma tomada de consciência?
Não existe o correto ou o errado, o foco deve ser colocado na valorização desse reflexo.

Revisitar o ideal que possuímos ajuda-nos a empreender dois grandes caminhos. O primeiro é o de tornarmo-nos nessa pessoa que almejamos encontrar externamente. Neste ponto pode questionar-se “como posso desenvolver estas qualidades em mim?”; o outro aspeto está relacionado com a amabilidade e a convivência saudável com a solidão. Estar sozinho e conviver connosco próprios é fundamental dentro e fora de um relacionamento.
A compreensão e integração deste auto-relacionamento pode ser a chave para um caminho a dois.

O lugar

Conta uma popular lenda do Oriente que um jovem chegou à beira de um oásis junto a um povoado e, aproximando-se de um velho, perguntou-lhe:
“Que tipo de pessoa vive neste lugar?”
“Que tipo de pessoa vivia no lugar de onde vens?” – perguntou por sua vez o ancião.
“Oh, um grupo de egoístas e malvados” – replicou o rapaz. “Estou satisfeito por ter saído de lá.”
“A mesma coisa encontrarás por aqui” – replicou o velho.
No mesmo dia, um outro jovem aproximou-se do oásis para beber água e vendo o ancião perguntou-lhe:
“Que tipo de pessoa vive por aqui?”
“Que tipo de pessoa vive no lugar de onde vens?” – perguntou o velho.
“Um magnífico grupo de pessoas, amigas, honestas, hospitaleiras. Fiquei muito triste por ter de deixá-las” – respondeu o rapaz.
“O mesmo encontrarás por aqui” – respondeu o ancião.
Um homem que tinha escutado as duas conversas perguntou ao velho:
“Como é possível dar respostas tão diferentes à mesma pergunta?”
Ao que o velho respondeu:
“Cada um carrega no seu coração o meio ambiente em que vive. Aquele que nada encontrou de bom nos lugares por onde passou, não poderá encontrar outra coisa por aqui. Aquele que encontrou amigos ali, também os encontrará aqui porque, na verdade, a nossa atitude mental é a única coisa na vida sobre a qual podemos manter controlo absoluto.”

Lutando contra o stress e ansiedade

André tinha motivos para celebrar. Aos 30 anos era gestor de uma grande empresa e passava a vida a viajar em negócios, algo que sempre ambicionara.
Todavia não se sentia feliz nem motivado. Recorreu ao consultório apresentando excesso de peso, exaustão física e privação de sono. Estes sintomas agravavam ainda mais a ansiedade que sentia há meses.
O diagnóstico era de “Burnout” ou Síndrome de Exaustão e recebe este nome por uma boa razão – ao nível celular os nossos corpos tornam-se literalmente inflamados.

Este estado não surge espontaneamente, é antes o resultado de uma condição crónica despertada pela cultura de trabalho ocidental 24/7 que combina um clima de incerteza económica, perfeccionismo e insatisfação.

Os sintomas de stress surgem aqui como um alerta para o perigo. Contudo, o organismo não distingue entre a ameaça de um tigre ou um email enviado pelo seu chefe e acciona os mesmos mecanismos corporais que o alertam para o perigo e o preparam para a fuga. Todas as vezes em que uma das três necessidades de sobrevivência básica não são alcançadas (segurança, recompensa e conexão), a resposta de “luta ou fuga” característica do stress ativa as reações bioquímicas do organismo.

Com o tempo, os efeitos do stress crónico e nocivo fazem-se sentir, refletidos nas nossas escolhas diárias: dificuldade em adormecer, uso de cafeína para nos mantermos despertos, má alimentação, abuso medicamentoso, etc.

No nosso sistema, todos os tipos de stress conduzem a um destino: inflamação – o tal “fogo” nas nossas células. A inflamação é simplesmente a resposta imune protetora a qualquer toxina ou lesão. Basta pensar como a pele recupera de um ferimento – existe um inchaço (edema) e rubor seguidos de formação de cicatriz e cura.

Quando a nossa vida entra neste modo “fazer a qualquer custo”, ativamos os genes que causam a inflamação crónica, a causa da maior epidemia dos nosso tempos: doenças crónicas relacionadas com o estilo de vida tais como obesidade, diabetes, doenças cardíacas, cancro, depressão, ansiedade e outros.

Então o que podemos fazer?

• Crie um hábito, algo que goste de fazer e torne-o parte da sua vida. Isto possibilita uma mudança no panorama geral do seu dia-a-dia porque altera a forma como você se vê (por exemplo começar uma atividade física, logo pela manhã, pode alterar a forma como você lida com o resto do seu dia). Pergunte-se quais são os seus valores e o que realmente o entusiasma? Que tipo de estilo de vida quer abraçar e que valores pode cultivar para se transformar na pessoa que deseja?

• Procure rodear-se de pessoas positivas e bondosas. Criar um hábito pode tornar-se mais simples se o partilhar com outras pessoas. O suporte social é um bónus que pode aumentar a sua qualidade de vida.

• Quando fracassar ou sentir que retoma os velhos costumes, levante-se e trate-se com compaixão. A vida tratará de incluir o novo hábito, não existe outra forma. Existe uma robusta evidência científica que demonstra que ser amável consigo próprio e tratar-se como trataria um melhor amigo, é mais motivador e potenciador de novas coisas do que ser autocrítico.