A psiquiatria perinatal é uma área de conhecimento desenvolvida nas últimas décadas, que tem como propósito o diagnóstico, tratamento e seguimento das perturbações psiquiátricas durante a gravidez, amamentação e pós-parto.

As mulheres com patologia psiquiátrica prévia e que pretendam engravidar devem ser acompanhadas em consulta de psiquiatria perinatal. Não infrequentemente, mulheres sem antecedentes de seguimento em psiquiatria, apresentam pela primeira vez sintomas psiquiátricos durante o período perinatal. Estas beneficiam também do acompanhamento em consulta especializada.

Existem muitas opções terapêuticas durante este período, que são tomadas tendo em conta o risco/benefício para a mãe e para o bebé. A noção generalizada de que as grávidas, ou as mulheres a amamentar, não podem fazer medicação é incorreta. De facto, existem estratégias farmacológicas a utilizar durante este período, que têm de ser ponderadas tendo em atenção vários fatores. A intervenção psicológica pode assumir tanto um carácter preventivo como de tratamento efetivo.

A lógica preventiva configura todo um conjunto de estratégias que visam a promoção do bem-estar e saúde mental, durante a gravidez, cujos efeitos positivos se estendem para o período pós-parto. É frequente as mães, neste novo papel, terem critérios revestidos de exigência e crítica, que acarretam sintomas negativos, tais como tristeza profunda, ansiedade marcada, ruminações envolvendo a criança, ideias delirantes ou alucinações, entre outros.

É muito importante avaliar como a mãe está a contemplar o seu papel, nomeadamente que respostas emocionais e comportamentais estão associadas a esta contemplação.

Numa perspetiva holística e integradora, a consulta engloba também a figura paterna, como elemento fundamental na saúde mental da mãe e da criança, sendo que, o período da gravidez, também é passível de influenciar o pai com o desenvolvimento de psicopatologia.