A sombra em terapia

Em contexto terapêutico a “sombra” alude a todos aqueles aspetos que suprimimos ou renegamos, consciente ou inconscientemente, para “ajustar” a nossa própria autoimagem ou identidade pessoal. Esta imagem que mostramos sobre nós mesmos tem o propósito de alcançar segurança: física, afetiva e psicológica; ou, dito por outras palavras, desenvolvemos inconscientemente uma identidade pessoal que procura ser aprovada, aceite e reconhecida pelos outros e por nós próprios.

Acontece que a identidade pessoal e a sombra psicológica são duas faces da mesma moeda, dois polos do mesmo processo.
O conflito entre o consciente e o inconsciente gera uma contínua tensão interior. Para amenizá-la gastamos uma tremenda quantidade de energia na contenção da sombra, energia essa que poderia ser empregue num processo de desenvolvimento e expansão da consciência. Por outro lado, a sombra urge por emergir e acaba por fazê-lo através de comportamentos ou mesmo através de sintomas ou doenças.

Quando damos voz à sombra, quando a reconhecemos e aceitamos como parte integrante de quem somos, iluminando-a com a luz do “dar-se conta”, esta perde a sua virulência de forma progressiva. Segue-se então a integração dos aspetos excluídos do self.

A prática de meditação está intimamente ligada a este processo de integração, desenvolvimento e ampliação da nossa identidade, dado que permite trabalhar a permanência e o foco na emoção, ao invés da fuga, a não repressão e a não identificação. Em meditação emerge progressivamente um estado de consciência que permite ver e acolher o mundo exterior e interior.

A meditação permite revelar um novo olhar que acolhe, concilia e unifica, facilitando a contemplação de toda a polaridade como uma dança criativa em que é amorosamente acolhida e silenciosamente celebrada.