Lutando contra o stress e ansiedade

André tinha motivos para celebrar. Aos 30 anos era gestor de uma grande empresa e passava a vida a viajar em negócios, algo que sempre ambicionara.
Todavia não se sentia feliz nem motivado. Recorreu ao consultório apresentando excesso de peso, exaustão física e privação de sono. Estes sintomas agravavam ainda mais a ansiedade que sentia há meses.
O diagnóstico era de “Burnout” ou Síndrome de Exaustão e recebe este nome por uma boa razão – ao nível celular os nossos corpos tornam-se literalmente inflamados.

Este estado não surge espontaneamente, é antes o resultado de uma condição crónica despertada pela cultura de trabalho ocidental 24/7 que combina um clima de incerteza económica, perfeccionismo e insatisfação.

Os sintomas de stress surgem aqui como um alerta para o perigo. Contudo, o organismo não distingue entre a ameaça de um tigre ou um email enviado pelo seu chefe e acciona os mesmos mecanismos corporais que o alertam para o perigo e o preparam para a fuga. Todas as vezes em que uma das três necessidades de sobrevivência básica não são alcançadas (segurança, recompensa e conexão), a resposta de “luta ou fuga” característica do stress ativa as reações bioquímicas do organismo.

Com o tempo, os efeitos do stress crónico e nocivo fazem-se sentir, refletidos nas nossas escolhas diárias: dificuldade em adormecer, uso de cafeína para nos mantermos despertos, má alimentação, abuso medicamentoso, etc.

No nosso sistema, todos os tipos de stress conduzem a um destino: inflamação – o tal “fogo” nas nossas células. A inflamação é simplesmente a resposta imune protetora a qualquer toxina ou lesão. Basta pensar como a pele recupera de um ferimento – existe um inchaço (edema) e rubor seguidos de formação de cicatriz e cura.

Quando a nossa vida entra neste modo “fazer a qualquer custo”, ativamos os genes que causam a inflamação crónica, a causa da maior epidemia dos nosso tempos: doenças crónicas relacionadas com o estilo de vida tais como obesidade, diabetes, doenças cardíacas, cancro, depressão, ansiedade e outros.

Então o que podemos fazer?

• Crie um hábito, algo que goste de fazer e torne-o parte da sua vida. Isto possibilita uma mudança no panorama geral do seu dia-a-dia porque altera a forma como você se vê (por exemplo começar uma atividade física, logo pela manhã, pode alterar a forma como você lida com o resto do seu dia). Pergunte-se quais são os seus valores e o que realmente o entusiasma? Que tipo de estilo de vida quer abraçar e que valores pode cultivar para se transformar na pessoa que deseja?

• Procure rodear-se de pessoas positivas e bondosas. Criar um hábito pode tornar-se mais simples se o partilhar com outras pessoas. O suporte social é um bónus que pode aumentar a sua qualidade de vida.

• Quando fracassar ou sentir que retoma os velhos costumes, levante-se e trate-se com compaixão. A vida tratará de incluir o novo hábito, não existe outra forma. Existe uma robusta evidência científica que demonstra que ser amável consigo próprio e tratar-se como trataria um melhor amigo, é mais motivador e potenciador de novas coisas do que ser autocrítico.