Tudo o que habita em si

Os preconceitos que delimitam o ser humano são inúmeros e, em grande parte, polarizáveis. Existe o bom e o mau, o certo e o errado, a luz e a sombra.
O objetivo pessoal é, muitas vezes, alcançar um desses polos e permanecer nele, renegando tudo o que possa existir no contrário.
Acontece que nem sempre existe o herói ou o vilão, o caminho certo ou o errado, a iluminação ou a sombra. A maioria das pessoas e dos acontecimentos situam-se entre os dois.
A este propósito relembro Clarice Lispector que dizia:

“Sou companhia, mas posso ser solidão. Tranquilidade e inconstância, pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono. Música alta e silêncio.”

Observe para onde se dirige e daquilo que se tenta afastar. Seja gentil com o seu mundo interno e permita-se ser tudo isso com curiosidade e amabilidade. Em vez de rejeitar com tanta pressa aquilo que lhe traz desconforto tente descobrir a utilidade e o potencial de todas as coisas. Poderá ficar surpreendido.