Regresse à casa que existe em si e respire profundamente. Entre em contacto com o seu sofrimento e pergunte-se “Por que motivo estou a sofrer? De onde provém o meu sofrimento?

A minha vida daria um livro

“A minha vida dava um livro”

Inúmeras vezes, os pacientes que procuram a ajuda de um psiquiatra vivem histórias que deixaram de servir o seu propósito. A ideia de que um cancro é uma batalha pode ser inútil para alguém que não pode vencer essa luta. O pensamento de que temos aquilo que merecemos pode tornar-se tão doloroso quando uma doença, não merecida, bate à porta. Ou ainda, a crença de que tudo deriva de um esforço avassalador, pode fazer com que se rejeitem oportunidades simples.
Joan Didion dizia que “contamos histórias a nós próprios para que possamos continuar a viver”, e é isso que fazemos durante toda a nossa existência. Contamos narrativas, desfiamos pessoas em palavras e atos em frases. Muitas delas decoradas dos nossos ancestrais e repetidas, vezes sem conta, sem nunca lhes compreendermos o significado.
Toda a nossa vida pode adquirir um sentido completamente distinto se a história for contada de uma outra forma. O papel do psiquiatra torna-se então no de acompanhar o paciente nesta história de significados, redescobrindo o valor das suas metáforas e auxiliando na vivência de verdades nunca antes pensadas ou experimentadas.

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